ANO NOVO, CASA NOVA.

Todo carnaval é assim. Monolito muda os ares. As cores. Dessa vez, mudou de novo de casa. Atualiza-te:

 

www.osmonolitos.blogspot.com



Escrito por Bill Pereira às 15h23
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"Eu te amo", ela diz, toda romântica.
Pra ele isso ainda
é só uma questão semântica.



Escrito por Bill Pereira às 17h43
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Pensando em terras e em sinas

Sou da Itália. Algum pedaço de mim é. Um pêlo qualquer. Agora mudou tudo, e não é mais pêlo, e sim pelo. O acento do pêlo é só pra diferenciá-lo do outro pelo, e pra mais nada. Mas, diz-se, o próprio contexto da frase deverá ser suficiente pra saber de que pêlo se está falando. E o que diferencia um ser de outro ser? É mesmo a terra em que ele nasceu? Algum pedacinho de mim vem da Itália. Porca miséria. As batatinhas que minha bisa comia vinham de solo italiano, e sou fruto dessas batatinhas. Minhas pernas são fortes por causa dessas batatinhas, plantadas em terra de gente que sofreu pra cacete. Os italianos do sul são os mais sofridos, me parece. É de onde venho. Mas tenho horror a ser mártir. Quer dizer, até gosto de dar minhas sofridinhas por aí, mas não quero ser exemplo pra ninguém. Não tenho cacoete de liderança, e minha parte líder só se manifesta no meio de fracos. Veja que eu só estava meio espantado, ou assustado, ou perplexo mesmo, com essa coisa da terra. Nenhum lugar é meu, de fato. E tem gente brigando há tanto tempo, fazendo coisas que a meu ver são ridículas, por causa de terra. Terra prometida, terra santa, qualquer coisa assim. Mas não são os indivíduos ridículos, e sim toda a perfídia que os levou a isso. Aquele cara ali, do século XXI, apenas acompanha a estupidez, como um lemingue impensante. Ele segue sua sina estúpida, e de certa forma eu sigo a minha. Eu compro um celular da Samsung porque vejo um outdoor do tamanho de vinte elefantes, e nele uma mulher bonita está usando um desses. Essa sina que eu sigo também deve matar alguém, mas eu mal vejo o sangue. Rodeei e rodeei pra perceber as semelhanças entre eu e eles. Pensar dá nessas coisas. Melhor me masturbar e esquecer.

 



Escrito por Jahba às 00h31
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O Tracinho


Ela não serve pra mim. De uma vez por todas.

Porque a conclusão?

Olha como ela passou o telefone dela: 94762760.

E o que é que tem?

É desajeito. Ela bagunça o quarto dela, ela repete a calcinha.

Mas porque? De onde você chegou a essa conclusão?

O cafuné dela deve ser duro. Ela não deve saber dormir abraçado, preparar um café...

O que você viu que eu não vi?

Com certeza, cara, com certeza ela não sabe ser romântica, não surpreende, não sabe a hora certa de agradar!

Pode ser, mas porque, caralho?

Olha atentamente. Atentamente! Não falta nada?

Você pediu o telefone, aí está o telefone!

Cadê o tracinho! O tracinho! Porra, se ela não se preocupa em facilitar a leitura do telefone, imagina se eu precisar da massagem dela! Desleixo dos infernos...

Mas pelo menos ela passou o celular...

É... Isso é...



Escrito por Bill Pereira às 12h58
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Os vários inícios e os vários fins

Se a gente conseguisse. Ah, se a gente conseguisse. Mas a gente não consegue. O mundo é rico. É pleno de possibilidades. Foi vendo um filme que tive o insight. Insight é tipo uma revelação, acho. Imagine-se triste. Ou bravo. Sei lá, numa briga terrível com sua namorada(o). Naquele momento, aquela briga idiota (quase sempre o são) é o fim do mundo pra você. Você chega a sentir vontade de pegar o carro e enfiá-lo num muro. Não exatamente pra morrer, talvez, mas pra acabar com aquilo logo. E, nesse mesmo momento, em algum lugar, certamente, um coral de crianças, muitíssimo bem ensaiado, está a cantar uma canção belíssima. Todas aquelas vozes infantis, afinadas e precisas, entoam uma melodia clássica, ou popular que seja, de forma sublime. Isso está acontecendo no exato momento em que você está soltando labaredas pelo rabo, de tanta raiva da vida. Imagine-se transportado, de repente, pra esse lugar, com uma grama verde e um céu azul, onde as crianças fazem sua apresentação. Imagine-se impossibilitado de achar a vida ruim. Imagine-se fazendo as pazes, porque não pode haver briga diante de tanta beleza. Imagine que sua vida recomeçou. Sim, pode-se sempre recomeçar. A tristeza é relativa. O fim é sempre relativo. Quando você está diante do coral de crianças ultra-ensaiado, você percebe que pra elas a vida está começando, e que pros pais delas a vida está recomeçando, e que pros avós delas a vida está recomeçando. Porque não pode também recomeçar pra você?

 



Escrito por Jahba às 01h06
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As Guerras e as Guerras

A cada dia que abro o jornal, uma nova criança aparece morta pra mim. É o jeito que o jornal tem de chamar a atenção pra guerra. Que diferença, de fato, faz, se morre uma criança ou um adulto? Uma criança é o que pode vir a ser, um adulto é o que é. É? Não sei. Dizem pra não confiar em cabelos brancos, porque os canalhas também envelhecem. Matemos todos os canalhas velhos, então. E as crianças, que são canalhas em estado latente? Fazemos o quê com elas? Cortamos os canalhas pela raiz? Se uma criança nasce no meio de um grupo considerado terrorista, cresce no meio de um grupo considerado terrorista, aprende com um grupo considerado terrorista, ela será uma terrorista. Será? O fato de o jornal ter preferência sempre pela foto das crianças mortas ou sofrendo, em detrimento dos crescidos, indica o óbvio: uma criança inocente não deveria morrer por causa de uma guerra estúpida. E essa criança, inocente, que cresce sem grandes opções a não ser virar um terrorista, um homem-bomba, alguém disposto a matar e morrer pela pátria, alguém disposto a matar e morrer por dinheiro (se mudarmos do Oriente Médio pra esquina de nossas casas), essa sim merece morrer, porque completou 21 anos? E quem há de matá-las, nós mesmos? Quando ela faz 21 anos e comete atrocidades você acha que ela merece morrer, porque deixou de ser inocente, mas será você aquele que lhe enfiará uma faça no coração e verá seu sangue escorrer entre suas mãos? Eu não sei, eu não sei. Um adulto é só uma criança que deixou de ser. Uma criança é um adulto que virá a ser. Não é legítimo matar nenhum dos dois. Não é bonito e nem comprova humanismo colocar crianças na capa do jornal. No mesmo tal jornal eu li, em artigo de não lembro quem, que o pacifismo tem que ser radical. Nada mais justo. O lado mais certo pra se tomar em qualquer guerra é o da não-guerra. Não importa se morreu uma criança palestina, ou um velho judeu, ninguém deve morrer em guerras estúpidas. Guerra estúpida é quase um pleonasmo. Digo "quase", porque parto do pressuposto de que alguma guerra deve ter sido necessária, em algum lugar da história.   Mas sou otimista o suficiente pra dizer que lá, bem lá no fundo, o ser humano tem uma santidade perene. E fico triste ao notar que os fatos desabonam toda essa minha crença estúpida.
Há algum tempo atrás, Bill fazia um texto, bem melhor do que este, falando do ataque de Israel ao Líbano. Ou algo assim. As guerras vão se misturando em nossas cabeças, de tal forma que a gente não sabe mais qual é qual, nós, os não-historiadores, que apenas lemos o jornal e vemos a TV todo dia. Não sabemos porque se guerreia, mas fazemos nossas pequenas guerras todos os dias. Temos sempre o nosso microcosmo de estupidez, mas continuamos sem saber o porque das mortes todas. A gente não mata. A gente anseia por paz. A gente deveria começar por nós mesmos. E eu nem lembro mais do que eu estava falando.

 



Escrito por Jahba às 01h17
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Um desconexo amontoado de abstrações dolorosas

Dor perene,
De nada adiantam os leques
Pra tanto calor
Luz acende,
Pra que apertar esses breques
Se o barco virou?

Não há barcos, nem lembranças
Mar revolto
Insuficiência nas membranas
Bruxo solto

Nehum traço a mais de candura
Lá de cima
Apenas a sombra da dura,
Triste sina

Dor insone
Meu filho já não vai mais ter
Seu sobrenome
Riso insano
Já não quero mais as lembranças
Do outro ano

Lá se foi meu cabelo,
Se foi minha cabeça
Quedaram-se juntos:
Precisos e trágicos
Patéticos e sádicos

Ficou meu pescoço
Sem sangue.
Ficou um suor
Um pedaço de vela
Um falta de rima
Uma métrica podre

Ficou melodia
De piano sem cauda
Um fim espaçado
Um soluço espancado

Uma morte

Uma vida

Um poder-se ser sem ter sido.

Uma lágrima, calculada nos astros,
Nos mapas zodiacais
Só não me avisaram,
A mim, último interessado
E primeiro...e cansado...

...e adeus.

 



Escrito por Jahba às 01h54
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Meu vômito

Pra escrever minhas obra completas, terei que começar com um vômito bem dado. As coisas daqui só saem assim. Como enormes vômitos. Vou ter que aposentar o meu pinto. Vou ter que largar mão de prazeres, ao mesmo tempo em que me jogo neles. Vou ter que criar um certo distanciamento entre a vida e a arte, pra poder criar sem morrer. Essa é só minha fórmula básica, deixando claro que não é "A" fórmula. Pra fazer tudo que eu quero eu vou precisar de tanta disciplina, que acho que meu cérebro pode estourar. E ao mesmo tempo, nos dez minutos que me restarem dentro das vinte e quatro horas, eu terei que ser tão intenso que vai doer. De preferência que doa em mais gente além de mim. Pretendo salvaguardar meus irmãos, minhas irmãs e minhas mães. Salvaguardar a mim também, pra que eu me mantenha são, lançando mão de meu peculiar e já famoso egoísmo e umbiguismo. Pra escrever as tais obras eu vou ter que sujar minha mão de merda, ao mesmo tempo que transformo palavras em fadas. Vou ter que chafurdar a cara na lama, e, concomitantemente, pintar de ouro tudo que é feio. Sabe como é, escrever é uma arte meio morta, em si própria, e não pelo sinal dos tempos. Essa história de colocar o preto no branco é de um masoquismo atroz. Então terei que sacrificar uns 90% de mim, e deixar os outros 10 pra epicuro. Esses planos são só uma espécie de linha mestra, modificável, mutante, incompleta. Pra dois mil e alguma coisa, não se sabe o certo. Eu apostaria bem pra frente, se coubesse a mim prever. Mas eu sou dos mais céticos. Os otimistas, as pollyanas (detesto citar um livro que nunca li, tanto que nem sei como escrever esse nome), dirão "que nada, é logo ali". Preciso matar algumas pollyanas, a fim de escrever minhas obras completas. Mas antes preciso vomitar.

 



Escrito por Jahba às 23h24
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A tristeza é um capital
que a nada se atrela.

É mais forte e devastador
que todo o bem, todo o mal.

Alguém, por favor,
feche os olhos de Manuela



Escrito por Bill Pereira às 16h35
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Ladeira


Andei atrás da saia dela.
Bela e metida, tudo que sei.
Andei cada rua e avenida,
teria chegado à Lua,
mas Lua é subida,
mulher é ladeira.
Andei a vida inteira,
pra ouvir, no fim,
que você não quer.



Escrito por Bill Pereira às 13h37
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Soneto de aniversário

Fazer anos é tentar olhar pra trás
E lembrar de tudo com sorrisos amenos
Alguns dizem que temos um ano a mais
Outros, que temos um ano a menos

"um ano a menos teremos pra viver!"
Repetem alto e forte, mas no fim
Penso que a vida é como um copo pra encher
Com tudo aquilo que não nos é ruim

Prefiro as alegrias que viscejam
Aos cânticos de morte que me vendem
Fugazes, singelas, como sejam

Aos anjos sempre peço que me beijem
Gosto de achar que a vida é sempre uma largada
De uma corrida que não se sabe quando acaba

 



Escrito por Jahba às 02h09
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Vácuo

 
Traduzir  memórias de momentos triviais ainda há de me enlouquecer. É minha utopia e minha perturbação oficial. Minha agonia mais íntima. Não adianta explicar. É um flash e não tem parâmetro. É uma fotografia - no sentido cinematográfico - indefinida, manchada, subjetiva. Um cheiro que é só um bafo, mais rápido que um relâmpago. É um relâmpago, ume stalo, não chega a ser um segundo. É menos, e é mais explicativo que todo o limite científico de captação cerebral de informação por segundo. São os cinco sentidos, é o sexto, e é sem sentido, sem forma. Você também há de ter. E chamar de saudadezinha que bateu agora. Ou então de dejá vù, saudade, dor no coração, premonição, sinal de que esteve em outras vidas. Eu não. Eu chamo de não chamo, eu não sei chamar. Não sei se é vida ou se é morte. Me desespera. Às vezes é tão nítido e detalhado que não pode ser, precisa ser invenção. Não posso contar, porquê não quero que confirmem nem que entendam. É um ardiloso detalhe, esse. Tá tudo aqui dentro, e não dá pra sair, não dá pra explicar. Alguns minutos atrás me veio, por algum momento que não se conta com relógio, a moldura e o desenho. Carpete, cômoda, parede, luz do sol, temperatura, moletons, zupt. Eu acabei de ter 10 anos de novo, por algum momento.


Escrito por Bill Pereira às 16h53
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Coisas que eu não te contei

Eu acabei conseguindo terminar de escrever aquele espetáculo. Eu, que nunca termino nada, terminei. Fiquei feliz, mas por pouco tempo. Não entreguei a quem deveria entregar ainda. Felicidade não dura muito pra mim. Preciso logo de outra. Estarei definindo o mundo inteiro? Finalmente fiz aquele tratamento pras unhas. Tive que ficar sem beber um tempo. Não sou alcoólatra, mas é duro ficar sem beber. O tratamento acabou, a unha só ficou quase boa, mas eu estou, ao menos, tomando uns bons porres. Minha mãe passou 15 dias na Europa, meu irmão foi trabalhar em Las Vegas. Fiquei cinco dias sozinho em casa. Não comi ninguém. Chorei um choro bem gostoso numa noite, lembrando de coisas que se foram. Lembrar de coisas que se foram não serve pra nada, a não ser pra chorar. Chorar, sim, é que serve pra um monte de coisas. Andei fazendo umas músicas, mas é incrível como eu só gosto delas na hora que faço. Depois, deixo de gostar. Só uma delas sobreviveu à auto-crítica do dia seguinte, e talvez seja a melhor canção que eu tenha feito até hoje. Mas, e eu disse isso pras pessoas a quem mostrei algumas canções, eu não sei pra que faço música. Gosto de pensar que é pra exercitar minha criatividade, mas eu sou um puta cético comigo mesmo. Continuo jogando futebol duas vezes por semana, e, no meio dos amigos casuais que o futebol nos arranja, existem pérolas memoráveis. Pessoas que eu amo, porque tem defeitos parecidos com os meus. Minhas pernas continuam sendo a melhor parte do meu corpo. Não conto o cérebro, porque não estou abstraindo. Nas minhas próximas férias, minha viagem solitária será provavelmente pro Nordeste. Minha viagem com alguém será provavelmente com ninguém. Penso em fazer um escritório no banheiro que, teoricamente, seria da empregada, ali em cima, onde se lavam as roupas. Esse escritório seria o lugar em que eu poderia escrever sozinho, tocar violão sozinho, sem incomodar nem ser incomodado. Mas acho que dessa parte você já sabia. Eu ando lendo livros muito mais do que vendo filmes. Não consigo conjugar paixões. Faz uns bons meses que não anoto nada no meu caderno de filmes. Asssito alguns, mas não tenho catalogado. Estão na minha cabeça, pro caso de eu voltar à antiga loucura. Escrevi algumas poesias à moda de Bukowski, besteirentas. Tentei desesperadamente imitar meus ídolos, mas da imitação só saem coisas estéreis. Preciso copiá-los de vez. Ou matá-los. Li trechos de um diário que foi lançado em livro, em apenas dois dias. Vi nós dois lá, cuspidos, escarrados, lambidos e chupados. Vi outros personagens conhecidos também. Ando me perdendo e me encontrando a cada dez minutos. Continuo paciente, e a melhor parte de mim ainda é uma coisa que eu não sei controlar, mas que a maioria das pessoas enxerga melhor do que eu. A pior parte de mim, infelizemente, ainda é revelada quando queimo pelas mesmas razões que já conheces. No pior pedaço de mim continua morando um delinquente que quase ninguém conhece tão bem quanto você. Eu, substancialmente, não mudei em nada, como provam meus olhos a quem enxergá-los. Estou desapaixonado, e acho sinceramente que você é minha June Mansfield. Qualquer google da vida resolve pra você o mistério de quem é June Mansfield. Minha "América alada" particular. Meu império e minha ruína. Qualquer coisa assim. E, no final, acho que ainda me despeço com um beijo e um desejo, ambos ternos e eternos.

 



Escrito por Jahba às 00h53
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Rei Real


Eu tinha um cenário. Minhas roupas, poeirentas e fedidinhas, era só passar um talco. Nós tínhamos um palco. Era madeira, de lei. Era rara, você. Eu era o Rei. Eu tinha um canário. Era papel machê. A felicidade daquele nobre senhor era apreciar seu canto decadente. Do pássaro. O seu era decente. Chegavas de branco, como um láparo, e trazia vida ao homem do trono. Tirava do rei o tenebroso sono. Eram bons minutos, de fato. O ponto forte do ato. Mas um Rei sem côrte não se enxerga. E duvida da sorte. É sábio em ser sozinho. Mas Rei não tem vizinho, e este que eu era tampouco tinha sorte. Eu tinha todo um teatro, mas não tinha a quem mostrar. Tinha você, mas fui ingrato, não fiz você ficar. Lá se foi você bonita, sem que eu me desse conta. Antes fosse só um faz-de-conta,  mas o Rei Real tem outra sina. Um teatro sem cortina.


Escrito por Bill Pereira às 13h37
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Meus deuses

Nesse momento eu preciso ter a força de não seguir meus mestres. Criar minha própria personalidade em meio a minha admiração perene é meu grande desafio. É péssimo que no meio da escrita, no meio do ato da criação, eu fique pensando se Deus faria assim, se Alá faria assado, se Buda realmente colocaria os versos daquela jeito, ajeitaria as palavras daquela forma, ou emanaria tal visão de mundo. E eu não tenho nem tantos deuses assim, mas mesmo se fosse apenas um, já haveria o desafio de amá-lo sem imitá-lo. Mas acho que como uma criança que ama seu pai, eu não estarei livre de me assemelhar a eles, mesmo que de forma inconsciente. O que preciso, de fato, é emaranhar meus deuses dentro de mim, de forma que eu não saiba mais quem é quem, e quem sou eu, e assim, sem saber quem eu sou, me descobrir inteiro e genuíno.

Escrito por Jahba às 01h07
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